A história do Mouchão

Vastas planícies, pontuadas por algumas florestas e extensos olivais, são a paisagem dominante da região do Alentejo. Foi para aqui que, no início do século XIX, Thomas Reynolds migrou, tendo como objectivo o negócio da cortiça.
Três gerações depois, o seu neto John Reynolds adquiriu uma propriedade de 900 hectares, denominada Herdade do Mouchão. Aqui, à actividade corticeira a família acabou por adicionar a produção de vinhos. Plantaram-se várias vinhas e em 1901 construiu-se uma adega tradicional, de grossas e brancas paredes de adobe e um elevado pé direito, tudo encimado por um magnífico telhado de telha vã portuguesa. Pensa-se que foi também por iniciativa de John que as primeiras plantas da casta Alicante Bouschet foram trazidas de França. Depois, em 1929, instalou-se a destilaria, a mesma que ainda hoje é utilizada para produzida a aguardente do Mouchão.
Durante a década de 50, do século XX, a actividade vitivinícola sofreu uma singular expansão que se traduziu por um aumento das áreas de vinha, pelo aperfeiçoamento das tecnologias de vinificação e pelo início da venda de vinhos engarrafados, em detrimento da velha tradição de venda de vinho a granel, com um cunho muito regional.
Após a revolução de 1974 a herdade foi expropriada e só foi devolvida à família em 1985. Hoje a Herdade do Mouchão continua a ser gerida e trabalhada pelos descendentes da familia original. Todo o processo de vinificação se mantém praticamente intocável, preservando a tradicional vindima à mão e a fermentação das uvas em lagares de pedra com pisa a pés.
Num mundo enológico em constante evolução, a Herdade do Mouchão mantém-se como sempre foi, uma tradição de família.