Historia e Adega

De Gaia ao Alentejo

 Até os anos 1970 a Herdade do Mouchão garantia trabalho e alojamento a numerosos trabalhadores e suas famílias.

 

A história do Mouchão cruza na verdade duas histórias, que convergem no Alentejo. Esta região de Portugal repousa entre o oceano Atlântico, a Oeste, e as planícies de Espanha, a Leste, com o Algarve como fronteira a Sul. Nesta paisagem ondulante, as casas caiadas do Mouchão – construídas por João Reynolds no final do século XIX – estão agrupadas num Monte, no seio duma floresta de sobreiros e azinheiras, no coração desta propriedade de 900 hectares.

Por esta altura a família encontrava-se já bem estabelecida em Portugal, tendo assentado arraiais no Porto há três gerações. O avô de João, Thomás, alistara-se na Marinha em jovem e provavelmente avistou Portugal pela primeira vez em 1805, ano da Batalha de Trafalgar.

O que viu deve tê-lo impressionado – já que regressou ao Porto vinte anos mais tarde para fundar a Thomas Reynolds & Sons, que exportava vários tipos de produtos portugueses de qualidade, incluindo vinhos, para Inglaterra. No ano de 1835, segundo o seu próprio Diário, “andava a pesar cortiça no vale da Amoreira, essa propriedade que fica antes de se chegar ao Mouchão…”

Foi o seu filho, Thomás, que viu uma oportunidade no negócio da cortiça e se mudou com a família para Sul, no Alentejo.


 Meados do Séc. XIX

1824 - 1833

Thomas William Reynolds instalou-se no Porto com a sua empresa familiar, que comercializava cortiça, azeite, lã, mel e vinho. Mais de cem anos depois, todos estes produtos continuam a ser produzidos no Mouchão. Entretanto, no Sul de França, o viticultor Louis Bouschet de Bernard iniciou o seu trabalho científico sobre castas tintureiras que viria a dar origem à nobre Alicante Bouschet.

1850’s

Três gerações de Reynolds “alentejanos” decidiram emigrar… de novo. Entre 1850 e 1857, praticamente a família inteira - dezasseis ao todo - navegou para Dunedin, Nova Zelândia. Robert Hunter Reynolds continuou em Portugal para gerir o negócio de cortiça. Apenas Guilherme Romão Dias Reynolds voltaria ao Alentejo em 1869, para apoiar o primo (e cunhado!). Com uma paixão única por uma viticultura em transição, Guilherme foi também presidente do Observatório Nacional para a Philoxera.

1870´s -1890´s

As primeiras plantações de Alicante Bouschet no Mouchão datam do final do século. Chegam pela mão de dois professores de Montpellier que visitam a herdade, trazendo as primeiras varas de Alicante Bouschet para Portugal. João impulsiona a herdade, construindo o monte e edifícios agrícolas e em 1901 a nova Adega.

1900s

1904. É completada a nova Adega, numa altura em que a área de vinha no Mouchão era superior a 100 hectares.

1949. A primeira colheita a ser engarrafada no Mouchão. Antes, todos os vinhos eram vendidos em odres, cartolas ou garrafões de vime (estes últimos uma tradição mantida até aos dias de hoje).

1975 – 1985 Mouchão foi expropriado após a Revolução de 1974, sendo renomeado “Cooperativa de Produção Agrícola 25 de Abril de Mouchão e Anexos”. Foi um período difícil para o Mouchão. À data da devolução da herdade à família Reynolds as vinhas estavam abandonadas e os tonéis secos e inutilizáveis devido à falta de vinho.

1988. O renascimento começa com a 5ª geração, com a replantação da Vinha dos Carapetos. Na Adega, os tonéis e prensas são recuperados com muita dedicação e cuidado.

1991. Chega a electricidade à Adega, sem trazer grandes alterações à enologia dos vinhos tintos que mantém os métodos tradicionais.

 

A Adega Hoje

A adega, um edifício elegante de adobe caiado de branco, sombreado por altas árvores de eucalipto e ladeado por vinhedos, é situada num vale ao lado da pequena ribeira do Almadafe. O edifício tem duas alas principais com tectos altos abobadados que albergam os lagares de pedra e os enormes tonéis de madeira de 5000 litros, muitos dos quais com mais de 100 anos.

 

 

E por todo o lado estão os grandes tonéis e as longas fileiras de pipas, todas cheias com o vinho do Sul.
W.H. Koebel, reconhecido escritor de viagens aquando da sua visita ao Mouchão em 1908.

 

Toda a uva tinta continua a ser vindimada manualmente, pisada a pé e prensada nas 4 prensas manuais centenárias. Estes métodos tradicionais continuam a produzir vinho da mais alta qualidade.

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