Produção do Vinho

O Vinho no Mouchão

Os Vinhos Amadurecem...

W. H. Koebel assinala, em 1908, que já se havia feito vinho no Mouchão antes do virar do século XIX, mas referia-se à “adega nova”, e à sua “destilaria de brandy de última geração”, que acabaram de ser construídas em 1904. Por esta altura, João já tivera larga oportunidade de se familiarizar com as suas extraordinárias uvas tintas de polpa vermelha escura. O Alicante Bouschet adaptou-se bem aos solos de aluvião profundos e rubros do Mouchão, prosperando sobretudo nas várzeas da propriedade, e acentuando algumas das suas características únicas, fruto também do intenso calor do Alentejo. Com o tempo, tornou-se claro que o vinho precisava de tempo para suavizar o seu intenso sabor – pelo menos três a cinco anos em tonel, antes de engarrafar -, e esta maturação lenta levou a uma redução na área plantada.

Durante a vida de Alberto "Bouncer" Reynolds, esta área de vinha decresceu para 6,5 hectares, mas a reputação do vinho começava a firmar-se de forma consistente e irreversível. Há 50 anos, pequenas quantidades de vinho do Mouchão datadas de 1954 e 1963 foram enviadas em barris para famílias negociantes de vinho no Porto e em Londres e, aos poucos, a fama deste vinho foi sendo conhecida. Conhecedores como Jancis Robinson MW, o saudoso Colin Parnell, fundador da revista Decanter, ou Hugh Johnson, elevaram o Mouchão a outro patamar, granjeando lhe um reconhecimento mais lato, ao nível dos melhores do mundo.

Vindima

A vindima, toda ela manual, começa sempre de manhã bem cedo, pela madrugada, por forma a preservar a frescura e qualidade da fruta, e onde é logo feita uma primeira selecção. Os pequenos cestos de uvas não demoram mais do que uma hora a chegar à adega onde é feita uma segunda selecção manual mais criteriosa.​

A tradicional pisa a pés é feita duas a três vezes por dia durante a fermentação em lagar, a qual demora entre cinco a oito dias no total. Todos os vinhos tintos, sem excepção, são pisados e fermentados com engaço em lagar. Só depois é que o vinho é trasfegado para os tonéis e barricas, onde ocorre a segunda fermentação (malolática).

Por sua vez as castas brancas são desengaçadas e prensadas antes do sumo ser fermentado a frio, garantindo desta forma a preservação dos aromas.

Após a fermentação, o lagar de vinho tinto é esvaziado para um ou mais tonéis enquanto a manta, ainda rica em vinho novo, é prensada numa prensa manual vertical centenária. Sendo este processo completamente manual, de baixo rendimento, mas muito suave na extracção, a qualidade dos vinhos resultantes destas prensas é extraordinária.


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